Les amants réguliers

Já se disse que Les amants réguliers é um filme que faz de contraponto a The Dreamers, embora seja muito superior à fita do Bertolucci. Mas algo de verdade existe na afirmação, já que se ocupam da mesma época fixando a atenção em personagens com similares motivos existenciais. Mas Garrel vai além do Bertolucci e o seu caminho é o do doloroso fracasso dos sonhos e anelos duma utopia que muito perto esteve de se tornar real; enquanto Bertolucci limitou-se a permitir que as suas personagens se perderam no meio das revoltas por simples inércia adolescente e amor pelo cinema. E é por isso que Les amants réguliers é infinitamente mais valiosa, porque fala desde a época (Garrel filmara de câmara em mão os distúrbios parisienses do 68 conseguindo o que Godard disse que era o único filme sincero sobre esses acontecimentos) e porque todos os sonhos e anelos dos que falávamos antes concentram-se, misturados com a amargura e a desorientação do seu desvanecimento, nas três horas que dura a película. Em este sentido, é crucial a cena na que três gerações da família Garrel reúnem-se numa cozinha para falar da perda da esperança: o avô, actuando para o pai que está trás da câmara, e o filho, protagonista da película (e de The Dreamers). Estabelece-se assim uma continuidade na história de essa revolução que-não-foi por culpa da reacção gaullista e a traição dos sindicatos. E o filho, Louis Garrel, recebe da sua própria família uma lição do que era compromisso político, ético e espiritual há já tantos anos.
A película funciona também como remate da Nouvelle Vague, como continuadora dum estilo distinto de fazer cine oposto radicalmente à banalidade, a estupidez ou o paternalismo absurdo que temos de sofrer os espectadores cada vez que tragamos um novo subproduto hollywoodiense. Não há nada artificial em Les amants réguliers, porque iria contra a sinceridade brutal que procura a película. Não há falsa espectacularidade nem sequer nas cenas de luta nas ruas. E também não existem explosões sentimentais dirigidas a públicos embrutecidos. Tudo transcorre como a própria vida, num branco e preto desapiedado e delicado, e a gente acredita que está a ver uma película de Bresson ou dos primeiros Godard, Rohmer ou Truffaut; ou melhor: uma película de Jean Eustache, amigo e mentor de Philippe Garrel a quem este pretendia fazer homenagem.
Esta película converter-se-á numa obsessão para muitos que se verão reflectidos no seu compromisso. Converter-se-á numa obra à que teremos que volver constantemente durante anos e que se poderá ensinar com orgulho para demonstrar o que é em verdade o cine.
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Faz-se difícil para mim dizer algo destes cineastas, não muito conhecidos em Espanha mas absolutamente imprescindíveis na história do cinema. Das teorias cinematográficas de
Com todo, ainda deveriam aparecer coisas de ambos autores. 













