sábado, julho 21, 2007

Contra a estupidez


Bem. Esta é a famosa portada da polémica. Há realmente motivo para tanto balbordo? Se a família real decide ignorar o assunto, por que é que um cretino tem que decidir actuar de ofício? É o tipo tão estúpido que não sabe que em realidade está a fazer um favor à revista, proporcionando-lhe publicidade a costa do morbo? Pois desde aqui situamo-nos de parte da libertade de expresão e do sentido comum.

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terça-feira, julho 17, 2007

Volto cair no consumismo fetichista

Wayfarer

E é que devo ser meio parvo.

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segunda-feira, julho 09, 2007

Na mente do psicopata

Releio From Hell, de Alan Moore e Eddie Campbell, uma reconstrução documentada no extremo mas com raízes na ficção e na interpretação artística e subjectiva dos factos, dos assassinatos devidos ao assassino em série conhecido como Jack o estripador, quem actuou em Londres, na zona de Whitechapel no ano 1888, matando pelo menos a cinco mulheres: Polly Nichols, Annie Chapman, Liz Stride, Kate Eddowes e Marie Jeannette Nelly; embora houvera quem nalgum momento chegou atribuir ao caso dois assassinatos mais: os de Marta Tabram (aka Marta Turner) e Emma Smith.

Moore apresenta um retrato fascinante e profundo duma época inteira que ao seu juízo prefigura todo o século XX com a sua carga de horror e inumanidade, chegando até a ser capaz de encontrar um assomo de piedade e amor pela humanidade na mente perturbada que levou a cabo os horríveis crimes. Efectivamente, Moore, quem adere ás teorias mais atractivas –e fantásticas– sobre a autoria dos assassinatos, apresenta um assassino afastado da imagem de indiferença e insensibilidade do psicopata prototípico. O seu assassino é sensível à beleza e, embora actue seguindo os impulsos típicos do assassino em série (os seus actos são produtos dum plano, duma “missão” e durante a comissão atravessa por todas as fases psicológicas conhecidas no comportamento de esses assassinos), quando lhe sobrevêm visões do século XX é consciente duma dimensão nova nos seus ataques e de um significado oculto que creia um contraste entre a sua brutal missão e a inumanidade da sociedade contemporânea aos autores.

A multi-premiada obra de Moore & Campbell foi adaptada ao cinema no que foi um dos últimos exemplos desse género que tão de moda esteve nos 80 e 90: o cinema de psicopatas/assassinos em série. Pessoalmente, devo reconhecer que sempre achei que grande parte do êxito destas películas tinha a sua base num facto preocupante: a fascinação pública pelo psicopata como encarnação do mal absoluto e, em muitos casos, como objecto de claras simpatias, e até de admiração. Além disso, também resultava curioso constatar a forma como a cada filmecompsicopata aumentava a espectacularidade e a violência dos seus finais, nos que de jeito invariável o assassino em série resultava morto. Ambos aspectos revelam, acho eu, o ambiente de esquizofrenia social que alcançou a sociedade ocidental, na que podem conviver sem maiores problemas a simpatia pelo mal com a moral ultraconservadora do tipo mais ressesso.

Claro que as conclusões poderiam ser ainda mais desoladoras de termos em conta as definições de psicopatia que ussa actualmente a medicina psiquiátrica. Num programa de Redes emitido há uns anos, Robert Hare comentava o seu formulário para a detecção precoce do que se considera uma enfermidade neurológica incurável. podem ler a entrevista de Eduardo Punset ao canadiano e podem ver o programa, em cuja segunda parte intervêm dois peritos espanhóis: Luís Borrás e Vicente Garrido.

Além dos casos extremos (assassinos, violadores), fala-se do psicopata como alguém carente de sentido da responsabilidade, com falta de empatia com os sentimentos alheios, egoísmo extremo, alta capacidade de planificação e obtenção de resultados, e insensibilidade ante as repercussões dos próprios actos. Porém, insiste-se que o psicopata é um manipulador emocional consumado, capaz de fingir que entende ou partilha os sentimentos das pessoas a quem aspira a explorar. No que diz respeito à fisiologia, fala-se em defeitos biológicos no cérebro que inibem o controlo de impulsos violentos e creiam uma disfunção na percepção da violência e as emoções.

Pergunto-me, por exemplo, se isso tudo não reflecte grande parte das práticas empresariais actuais, como os feches de fábricas em países ocidentais para deslocá-las a onde é possível explorar trabalhadores ou até meninos, o desprezo por normativas, leis médio ambientais e praxis profissionais, e a procura exclusiva do benefício próprio sem qualquer tipo de repressão nem autocontrolo. Ou indo ainda mais longe: não teremos que aplicar a etiqueta de "PP" (personalidade psicopática; atenção às siglas!) a comportamentos colectivos? Tenhamos em conta o estado actual da sociedade espanhola, a falta absoluta de responsabilidade, a indiferença ante as situações de sofrimento alheio, a procura individual de soluções, riqueza, status e poder, a falta de controlo dos instintos agressivos… é necessário que continue?

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quinta-feira, junho 28, 2007

Les amants réguliers


Agora que o Sarko ataca de jeito desumano o 68 francês [nota: não esquecer JAMAIS que existiram outros 68: Ciudad de México, Berkeley, Praga, até Madrid; embora não sempre coincidiram em datas com a grande festa-incêndio situacionista de Paris], e tenta convertê-lo no responsável de todos os males que assolam actualmente à República Francesa revisar esta maravilhosa película de Philippe Garrel finalmente editada em DVD por Intermedio converte-se num saudável exercício intelectual e emocional.

Já se disse que Les amants réguliers é um filme que faz de contraponto a The Dreamers, embora seja muito superior à fita do Bertolucci. Mas algo de verdade existe na afirmação, já que se ocupam da mesma época fixando a atenção em personagens com similares motivos existenciais. Mas Garrel vai além do Bertolucci e o seu caminho é o do doloroso fracasso dos sonhos e anelos duma utopia que muito perto esteve de se tornar real; enquanto Bertolucci limitou-se a permitir que as suas personagens se perderam no meio das revoltas por simples inércia adolescente e amor pelo cinema. E é por isso que Les amants réguliers é infinitamente mais valiosa, porque fala desde a época (Garrel filmara de câmara em mão os distúrbios parisienses do 68 conseguindo o que Godard disse que era o único filme sincero sobre esses acontecimentos) e porque todos os sonhos e anelos dos que falávamos antes concentram-se, misturados com a amargura e a desorientação do seu desvanecimento, nas três horas que dura a película. Em este sentido, é crucial a cena na que três gerações da família Garrel reúnem-se numa cozinha para falar da perda da esperança: o avô, actuando para o pai que está trás da câmara, e o filho, protagonista da película (e de The Dreamers). Estabelece-se assim uma continuidade na história de essa revolução que-não-foi por culpa da reacção gaullista e a traição dos sindicatos. E o filho, Louis Garrel, recebe da sua própria família uma lição do que era compromisso político, ético e espiritual há já tantos anos.

A película funciona também como remate da Nouvelle Vague, como continuadora dum estilo distinto de fazer cine oposto radicalmente à banalidade, a estupidez ou o paternalismo absurdo que temos de sofrer os espectadores cada vez que tragamos um novo subproduto hollywoodiense. Não há nada artificial em Les amants réguliers, porque iria contra a sinceridade brutal que procura a película. Não há falsa espectacularidade nem sequer nas cenas de luta nas ruas. E também não existem explosões sentimentais dirigidas a públicos embrutecidos. Tudo transcorre como a própria vida, num branco e preto desapiedado e delicado, e a gente acredita que está a ver uma película de Bresson ou dos primeiros Godard, Rohmer ou Truffaut; ou melhor: uma película de Jean Eustache, amigo e mentor de Philippe Garrel a quem este pretendia fazer homenagem.

Esta película converter-se-á numa obsessão para muitos que se verão reflectidos no seu compromisso. Converter-se-á numa obra à que teremos que volver constantemente durante anos e que se poderá ensinar com orgulho para demonstrar o que é em verdade o cine.

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quinta-feira, junho 21, 2007

A little soul

"A Little Soul" (Pulp)

Hey man,
how come you treat your woman so bad?
That's not the way you do it. No, no, no..
you shouldn't do it like that.
I could show you how to do it right.
I used to practice every night on my wife now she's gone. Yeah, she's gone.

You see your mother and me
we never got along that way you see.
I'd love to help you but everybody's telling me you look like me
but please don't turn out like me.
You look like me
but you're not like me I know.
I had one, two, three, four shots of happiness.
I look like a big man but I've only got a little soul.
I only got a little soul.

Yeah, I wish I could be an example.
Wish I could say I stood up for you and
fought for what was right. But I never did.
I just wore my trenchcoat and stayed out every single night.
You think I'm joking? Well, try me. Yeah, try me. Yeah come on, try me tonight.
I did what was wrong though I knew what was right.
I've got no wisdom that I want to pass on. Just don't hang 'round here, no,
I'm telling you son. You don't wanna know me.
Oh, that's just what everybody's telling me.

& everybody's telling me you look like me but please don't turn into me.
You look like me but you're not like me I hope.
I have run away from the one thing that I ever made.
Now I only wish that I could show you - wish I could show a little soul.
Wish I could show a little soul.

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domingo, junho 03, 2007

Também em Portugal...

sábado, junho 02, 2007

Comentário às eleições municipais no meu povo

Como BNG e PSOE retêm a maioria no meu povo pese ao inegável atractivo eleitoral do "encantador de serpientes" e promotor inmobiliário sem escrúpulos que tinha por candidato o PP (um acto desesperado para recuperar o seu feudo pontevedrés trá oito anos "liberado") e pensando no que estes próximos quatro anos vão supor para a resolução do conflictivo traslado dos chantagistas de ENCE, só me fica aditar:



Rosalinda

Rosalinda, se tu fores à praia, se tu fores ver o mar,
cuidado não te descaia o teu pé de catraia em óleo sujo à beira-mar,
cuidado não te descaia o teu pé de catraia em óleo sujo à beira-mar.

A branca areia de ontem está cheínha de alcatrão.
As dunas de vento batidas são de plástico e carvão,
e cheiram mal como avenidas, vieram para aqui fugidas a lama, a putrefacção.

As aves já voam feridas, e outras caem ao chão.
Mas na verdade, Rosalinda, nas fábricas que ali vês

o operário respira ainda, envenenado, a desmaiar, o que mais há desta aridez.
Pois os que mandam no mundo só vivem querendo ganhar,
mesmo matando aquele que morrendo vive a trabalhar.

Tem cuidado, Rosalinda, se tu fores à praia, se tu fores ver o mar,
cuidado não te descaia o teu pé de catraia em óleo sujo à beira-mar,
cuidado não te descaia o teu pé de catraia em óleo sujo à beira-mar.

E em Ferrel, lá para Peniche, vão fazer uma Central
que para alguns é nuclear, mas para muitos é mortal.
Os peixes hão-de vir à mão, um doente, outro sem vida, não tem vida o pescador.
Morre o sável e o salmão, "Isto é civilização", assim falou um senhor.

Tem cuidado, Rosalinda, se tu fores à praia, se tu fores ver o mar,
cuidado não te descaia o teu pé de catraia em óleo sujo à beira-mar,
cuidado não te descaia o teu pé de catraia em óleo sujo à beira-mar.


[Fausto, Madrugada dos Trapeiros, (1978)]


Recomendo escutar a canção cá.

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segunda-feira, maio 28, 2007

100 romances em espanhol (e algum menos em galego)

1.- El amor en los tiempos del cólera, de Gabriel García Márquez, Colombia, 1985.
2.- La fiesta del Chivo, de Mario Vargas Llosa, Perú, 2000.
3.- Los detectives salvajes, de Roberto Bolaño, Chile, 1998.
4.- 2666, de Roberto Bolaño, Chile, 2004.
5.- Noticias del imperio, de Fernando del Paso, México, 1987.
6.- Corazón tan blanco, de Javier Marías, España, 1992.
7.- Bartleby y Compañía, de Enrique Vila-Matas, España, 2000.
8.- Santa Evita, de Tomás Eloy Martínez, Argentina, 1995.
9.- Mañana en la batalla piensa en mí, de Javier Marías, España, 1994.
10.- El desbarrancadero, de Fernando Vallejo, Colombia, 2001.
11.- La virgen de los sicarios, de Fernando Vallejo, Colombia, 1994.
12.- El entenado, de Juan José Saer, Argentina, 1983.
13.- Soldados de Salamina, de Javier Cercas, España, 2001.
14.- Estrella distante, de Roberto Bolaño, Chile, 1996.
15.- Paisaje después de la batalla, de Juan Goytisolo, España, 1982.
16.- La ciudad de los prodigios, de Eduardo Mendoza, España, 1986.
17.- El jinete polaco, de Antonio Muñoz Molina, España, 1991.
18.- El testigo, de Juan Villoro, México, 2004.
19.- Salón de belleza, de Mario Bellatin, México, 2000.
20.- Cuando ya no importe, de Juan Carlos Onetti, Uruguay, 1993.
21.- La tejedora de coronas, de Germán Espinosa, Colombia, 1982.
22.- El paraíso en la otra esquina, de Mario Vargas Llosa, Perú, 2003.
23.- Cae la noche tropical, de Manuel Puig, Argentina, 1988.
24.- Doctor Pasavento, de Enrique Vila-Matas, España, 2006.
25.- Herrumbrosas lanzas, de Juan Benet, España, 1983.
26.- Empresas y tribulaciones de Maqroll el Gaviero, de Álvaro Mutis, Colombia, 1993.
27.- El invierno en Lisboa, de Antonio Muñoz Molina, España, 1987.
28.- Verdes valles, colinas rojas, de Ramiro Pinilla, España, 2005.
29.- Mal de amores, de Ángeles Mastretta, México, 1996.
30.- Donde las mujeres, de Álvaro Pombo, España, 1996.
31.- El pasado, de Alan Pauls, Argentina, 2003.
32.- El rastro, de Jorge Gómez Jiménez, Venezuela, 1993.
33.- Santo oficio de la memoria, de Mempo Giardinelli, Argentina, 1991.
34.- Los años con Laura Díaz, de Carlos Fuentes, México, 1999.
35.- Plenilunio, de Antonio Muñoz Molina, España, 1997.
36.- Todas las almas, de Javier Marías, España, 1989.
37.- Cartas cruzadas, de Darío Jaramillo, Colombia, 1995.
38.- La casa del padre, de Justo Navarro, España, 1994.
39.- La visita en el tiempo, de Arturo Uslar Pietri, Venezuela, 1990.
40.- La historia de Horacio, de Tomás González, Colombia, 2000.
41.- La grande, de Juan José Saer, Argentina, 2005.
42.- El arte de la fuga, de Sergio Pitol, México, 1996.
43.- La velocidad de la luz, de Javier Cercas, España, 2005.
44.- Olvidado rey Gudú, de Ana María Matute, España, 1997.
45.- La gesta del marrano, de Marco Aguinis, Argentina, 1991.
46.- Un viejo que leía novelas de amor, de Luis Sepúlveda, Chile, 1989.
47.- Plata quemada, de Ricardo Piglia, Argentina, 1997.
48.- El vuelo de la reina, de Tomás Eloy Martínez, Argentina, 2002.
49.- Diablo guardián, de Xavier Velasco, México, 2003.
50.- Igur Neblí, de Miquel de Palol, España, 1994.
51.- La nieve del almirante, de Álvaro Mutis, Colombia, 1986.
52.- Vigilia del almirante, de Augusto Roa Bastos, Paraguay, 1992.
53.- Un campeón desparejo, de Adolfo Bioy Casares, Argentina, 1993.
54.- Los pichiciegos, de Rodolfo Fogwill, Argentina, 1993.
55.- La burla del tiempo, de Mauricio Electorat, Chile, 2004.
56.- Una novela china, de César Aira, Argentina, 1987.
57.- El inútil de la familia, de Jorge Edwards, Chile, 2004.
58.- Lumperica, de Diamela Eltit, Chile, 1983.
59.- La otra mano de Lepanto, de Carmen Boullosa, México, 2005.
60.- En estado de memoria, de Tununa Mercado, Argentina, 1990.
61.- Veinte años y un día, de Jorge Semprún, España, 2003.
62.- Ladrón de lunas, de Isaac Montero, España, 1999.
63.- La cuadratura del círculo, de Álvaro Pombo, España, 1999.
64.- No me esperen en abril, de Alfredo Bryce Echenique, Perú, 1995.
65.- Luna Caliente, de Mempo Giardinelli, Argentina, 1983.
66.- Una sombra ya pronto serás, de Osvaldo Soriano, Argentina, 1990.
67.- El cuarto mundo, de Diamela Eltit, Chile, 1988.
68.- La silla del Águila, de Carlos Fuentes, México, 2003.
69.- Temblor, de Rosa Montero, España, 1990.
70.- Historia del silencio, de Pedro Zarraluki, España, 1995.
71.- Los fantasmas, de César Aira, Argentina, 1990.
72.- Angosta, de Héctor Abad Faciolince, Colombia, 2003.
73.- La muerte como efecto secundario, de Ana María Shua, Argentina, 1997.
74.- La orilla oscura, de José María Merino, España, 1985.
75.- La vida exagerada de Martín Romaña, de Alfredo Bryce Echenique, Perú, 1981.
76.- Sin remedio, de Antonio Caballero, Colombia, 1984.
77.- El tiempo de las mujeres, de Ignacio Martínez de Pisón, España, 2003.
78.- Al morir Don Quijote, de Andrés Trapiello, España, 2005.
79.- Glosa, de Juan José Saer, Argentina, 1986.
80.- Crónica de un iniciado, de Abelardo Castillo, Argentina, 1991.
81.- El traductor, de Salvador Benesdra, Argentina, 2002.
82.- Cumpleaños, de César Aira, Argentina, 2001.
83.- La sexta lámpara, de Pablo de Santis, Argentina, 2005.
84.- El embrujo de Shangai, de Juan Marsé, España, 1993.
85.- El maestro de esgrima, de Arturo Pérez Reverte, España, 1988.
86.- Carreteras secundarias, de Ignacio Martínez de Pisón, España, 1996.
87.- Rosario Tijeras, de Jorge Franco, Colombia, 1999.
88.- La sombra del viento, de Carlos Ruiz Zafón, España, 2001.
89.- Camino a la perdición, de Luis Mateo Díez, España, 1995.
90.- A sus plantas rendido un león, de Osvaldo Soriano, Argentina, 1988.
91.- Memorias de mis putas tristes, de Gabriel García Márquez, Colombia, 2005.
92.- Autómata, de Adolfo García Ortega, España, 2006.
93.- Del amor y otros demonios, de Gabriel García Márquez, Colombia, 1994.
94.- Ella cantaba boleros, de Guillermo Cabrera Infante, Cuba, 1996.
95.- La novela luminosa, de Mario Levrero, Uruguay, 2005.
96.- La guerra de Galio, de Héctor Aguilar Camín, Chile, 1994.
97.- Arráncame la vida, de Ángeles Mastreta, México, 1998.
98.- Arturo, la estrella más brillante, de Reinaldo Arenas, Cuba, 1984.
99.- La orilla africana, de Rodrigo Rey Rosa, Guatemala, 1999.
100.-Los vigilantes, de Diamela Eltit, Chile, 1994.

Esta lista contiem as que, de acordo com 81 especialistas, são os melhores romances em castelhano publicados desde 1982. Foram eleitos este ano por iniciativa da revista colombiana Semana, que dirigiu uma pesquisa a escritores, editores, críticos literários para que votaram pelos melhores romances em espanhol editados desde que existe o semanário. Ao mesmo tempo, a iniciativa unia-se aos festejos pelo quadragésimo aniversário da aparição de Cien años de soledad e a celebração e Medellín e Cartagena de Indias do XIII Congreso de las Academias de la lengua e o IV Congreso internacional de la lengua española.

Estas listas são sempre polémicas: que se algum dos que está não debera de estar, que se algum dos ausentes debera de estar, que se a ordem não é a adecuada, que se semelha que se impôs o critério do políticamente correcto… Se calhar é por isso que a Semana teve a precaução de dizer explícitamente que “[a lista] não pretende ser a selecção definitiva, mas apenas um homenagem que se rende a todos os escritores em língua castelhana”. Seja como for, o leitor médio pode usar a relação para comparar com os seus próprios gostos e até para se actualizar, salvando as vagas que impõe o desconhecimento de autores e obras de países afastados. Só por esta última ração já resulta recomendável.

A nivel pessoal, diremos só que nos satisfaz a falta de certos nomes, exaltados por certa imprensa por rações arredadas de critérios estrictamente literários (amiguismo, grandes superventas) e receptores de grandes prémios "de relumbrón" (casos de Antonio Gala, Fernando Sanchez Dragó, Juan Manuel de Prada... por não hablar nas mais bem patéticas tentativas asinadas pelo César Vidal quando dispõe dun minutos para escrever algo que não seja um libelo ou uma vulgaríssima manipulação de algum facto histórico, desses com que sale a ração de 27 livros por ano).

A destacar também que os paises consignados trás dos nombs dos escritores referem-se aos lugares de nacimento de cada escritor, e não sempre a aqueles onde as suas obras foram publicadas por primeira vez. Em este caso, cabe preguntar-se se não debera ser o país de publicação o lugar indicado. Assim ocorre com o Roberto Bolaño, por ejemplo, cujos romances apareceram originalmente em España. De qualquer jeito, prova isto que a verdadeira pátria do escritor (e de qualquer pessoa, em realidade) é a língua que fala e não o lugar onde nasceu, nem aquele outro no que se viu obrigado ou escolheu para viver.

À literatura galega resta-lhe um longo caminho para se equiparar com a espanhola (sobre tudo, de perseverar na actual normativa), mas uma lista semelhante e mais modesta poderia ser experimentada. Entre os melhores romances em galego, eu escolheria:

Scórpio, de Ricardo Carvalho Calero.
Tic-tac, de Suso de Toro.
Os livros arden mal, de Manuel Rivas.
A nosa cinza, de Xavier Alcalá.
Dos anxos e dos mortos, de Anxo Rei Ballesteros.
Retorno a Tagen Ata, de Xosé Luis Mendez Ferrin.
Xa vai o grifón no vento, de Alfredo Conde.
Devalar, de Ramón Otero Pedrayo.
Merlin e familia, de Álvaro Cunqueiro.
Non hai misericordia, de Xelís de Toro.

Agora proponho que quem leia isto, vote pelos seus dez preferidos e ver se podemos sacar a primeira lista de romances galegos clássicos e canónicos. Anima-se alguém?

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quinta-feira, maio 17, 2007

Entrada escatológica: felações eleitorais


Semelha que esta rapariga, candidata belga ao senado, oferece 40.000 (blow)jobs, que não são empregos senaõ felações, aos seus votantes.

Prefiro nem pensar no que aconteceria em este país se a iniciativa se popularizasse... Esperanza Aguirre já disse que ela não se importava com possar espida, assim que isto deve de parecer-lhe uma ideia porreira, acho eu. O caso é que só com pensar nisso, entra-me um arrepio de nojo que nem vos conto... (A ligação de ideias entre a inefável "Espe" e esta garota não é casual, porque na página web do jornal ADN onde se trata a nova há um banner enorme e molestíssimo com publicidade do PP).

Ainda pior: imaginais aos candidatos à presidência do governo oferecendo o mesmo?

estão os detalhes.

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terça-feira, maio 15, 2007

Perdição

Madrid: Fnac Callao

Centro de gravedad permanente....

(esta entrada e a sua foto estão dedicadas ao meu amigo José).

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segunda-feira, maio 14, 2007

Pardal

Sparrow

Uma de essas fotos. Saem mal, e porém...

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quarta-feira, maio 09, 2007

Autorretrato

Self-portrait_1

Pensei que alguém poderia estar a sentir curiosidade pela minha apariência...

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quinta-feira, abril 26, 2007

A bolsa de aluguer e a política social da Xunta

Estou muito surpreendido pela falta de protestas públicas e tratamento jornalístico das tácticas covardes e hipócritas da Xunta a respeito das modificações na solicitude de ajudas económicas para alugar vivenda na Galiza.

As ajudas eram um “presente envenenado” que o anterior governo aprovou antes das últimas eleições autonómicas. Abriu-se uma bolsa de pisos em aluguer e uma linha de subvenção económica para os solicitantes. Os passos do processo eram os seguintes: os proprietários incluiam as propriedades numa lista, gestionada pela Xunta. Esta lista era apresentada aos cidadãos que estavam a procurar vivenda. A Xunta comprobava o estado e as características da vivenda e, uma vez aprovada, colgava fotos em internet. O importe máximo do aluguer fixava-se seguindo os parámetros duma táboa que incluia variantes como se o aluguer incluia ou não praça de estacionamento, “trasteiros”, etc... Também oferecia ajudas para a rehabilitação da vivenda, mas sob a condição de que esta passasse a estar disponível para este programa de aluguer durante cinco anos. O propietário garantizava não ter dévedas pendentes com as Fazendas galega e estatal e que a vivenda estava devidamente registada.

O solicitante, inscrevia-se noutra lista da Conselharia de Vivenda e Solo, consultava a página web de vivendas disponíveis e solicitava a visita às que podiam interessar-lhe. Se achava uma do seu gosto, fazia a reserva com a Xunta e assinava o contrato com o proprietário. As condições para os solicitantes consistiam em não superar os 1800€ de renda familiar por mês; apresentar un aval bancário correspondente ao importe de três meses de aluguer. Um solicitante de renda baixa podia obter até a subsídio do 60% do importe do aluguer. Nada mais. Semelhantes “limites” faziam com que a demanda de vivenda registada na bolsa superasse a capacidade de gestão da Xunta.

O resultado foi que muita gente não podia acceder a uma vivenda da bolsa dentro do praço dum ano, momento no que se devia renovar o “papeleo” para não ser expulso da lista de solicitantes. As esperas e as lacunas nos requisitos eram tão grandes que apareceu a picaresca: quem estava já ocupando uma vivenda em aluguer, convencia ao proprietário para solicitar a ajuda. Como a Xunta pagava, o propietário podia subir o preço até o máximo fixado pela Xunta, porque a fim de contas, o inquilino ia pagar menos. Ademais, a paradoxa de ter que apresentar um aval, mas não estar na obriga de demostrar ingresos fixos, possibilitava que muitos estudantes pudessem acceder a alugueres subvencionados em cidades com campus, ainda que os seus progenitores estivessem em condições de pagar por esse aluguer. O lado bom do asunto era que “apareceram” da nada um número assombroso de vivendas que antes estavam “indisponíveis”.

Os contratos duravam um ano e existia a possibilidade de renová-los durante outros quatro, revisando as condições económicas do inquilino na fim de cada período. Uma grande quantidade de gente puido deste jeito acceder finalmente a uma vivenda em aluguer a um preço raçoável. Uma medida de caracter social adoptada por um governo conservador! O quê pensava fazer o PP de ter ganho as eleições, sabe-se lá. A quantidade de inversão necessária para manter um número crecente de solicitudes semeava a dúvida respeito as possibilidades de manter as condições muito tempo. A minha opinião é que no PP deveram de pensar que se ganhavam, já o arranjariam e, se perdiam, o problema já não era deles...

A chegada do bipartito ao poder significou efectivamente, um câmbio nas condições... a muitíssimo pior. Teresa Táboas asinou as modificações dos requisitos para novas solicitudes e a renovação das ajudas já concedidas, evindenciando que a vontade do novo governo era agotar a paciência dos inquilinos e forçar aos proprietários a retirar as suas vivendas do programa. Os objectivos desta táctica covarde não eram a ordenação racional dum sistema com muitas lacunas que favorecia o fraude, a pilheria e o despilfarro, senão deixar “morrer de morte natural” um programa considerado ruinoso mas muito popular. Como poderia um governo “progresista” cancelar uma iniciativa socialmente beneficiosa?

Em primeiro lugar, endureceram os requisitos que deviam cumprir os inquilinos. A rebaixa do tope na renda entrava dentro da lógica. Com ingresos de 1800€ não é necessário solicitar ajudas económicas para alugar vivenda. Novos baremos para o estabelecemento dos preços também tinham sentido, posto que antes as ajudas para solteiros que queriam algugar vivendas enormes podiam ser iguais que para famílias que solicitavam a subvenção para alugar un “mini-piso”. O que já não é correcto é que os preços máximos rebaixavam-se drasticamente e o proprietário tinha de deixar o piso na bolsa durante cinco anos, sem poder rexeitar inquilinos e ainda que não solicitara ajudas para reformas... Tendo en conta que os alugueres subem cada ano em vez de baixar, como esperava a Conselharia que os proprietários não perdessem dinheiro? Que inquilino poderia pedir ao proprietário que lhe fizera uma rebaixa? En realidade, esta medida força ao pago da diferença “em negro”.

Mas não acabam lá as dificultades, não. O trámite de renovação dos contratos leva agora três meses, durante os quais o inquilino debe pagar o 100% do aluguer sem que possa esperar devolução quando se ressolva a renovação... E isso sabendo também que as subvenções foram reduzidas.

O que está a suceder nos meses desde que se fizeram efectivas as reformas é que as reformas estão a deixar a inquilinos na rua ou a fazer com que tenham que procurar outra vivenda ou, como é o caso da maioria dos afectados que eu conheço, com que desesperem e julguem que já não paga a pena passar por tanto maltrato burocrático para obter uma ajuda miserável. O pensamento geral é "por mim, podem ir lijar-se".

Eis a grande política social do bipartito. Grandes novidades e grandes câmbios com respeito ao passado, efectivamente.

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quinta-feira, abril 19, 2007

As coisas no seu sítio...

... ou o difícil(?) equilíbrio entre democracia e opções pessoais.

Nesta entrevista publicada em El País, Tariq Ramadan não morde a língua, como é habitual nele. A destacar como as suas denúncias a todos os lados da sua múltipla herdança cultural não parecem bem nem a uns nem a outros. Também é bom que alguem nos lembre de quando em quando que o poder precisa dum antagonista para a sua perpetuação. Está no manual básico de qualquer dictador ou aspirante a sê-lo.

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sábado, abril 14, 2007

Volta ao paganismo (sem deixar a Galiza)




[Fotos da Serra da Capelada (1) e Santo André de Teixido, A Corunha (2, 3 e 4). ]

Existem lugares que impressionam e estremecem o espírito. A sua beleza arrepia e induz ponderações sobre a importância real do ser humano e os verdadeiros limites do seu poder. O homem converteu esses lugares em sagrados desde tempos imemoriais, vinculando-os a cultos, celebrações ou monumentos. O cristianismo tratou de fazê-los "respeitáveis" adaptando-os à sua doutrina e enfeitando-os com a sua iconografia e a sua nomenclatura, mas só conseguiu pôr sobre eles um véu transparente que não evidencia mais que o seu fracasso. A pouco que os observemos em detalhe, o seu paganismo segue a se notar com estrondo.

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domingo, março 25, 2007

FINALMENTE!!! Hoje é um grande dia....

La Audiencia de Segovia dicta la primera condena contra el abandono de animales

El tribunal obliga a una mujer a pagar 90 euros por los daños causados a un perro de su propiedad

ELPAIS.com - Madrid - 25/03/2007

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La asociación El Refugio, en nombre de una perra, Nena, ha ganado por primera vez una batalla legal contra el abandono animal. La Audiencia Provincial de Segovia ha condenado a su dueña a pagar 15 días de multa, con cuota diaria de seis euros, y arresto sustitutorio de un día por cada dos cuotas impagadas por abandonar a la perra, que fue hallada por la asociación con quemaduras en el 70% de su cuerpo.

La Audiencia de Segovia dicta la primera sentencia contra el abandono animal-

La noticia en otros webs

Hace más de un año, en febrero de 2006, voluntarios de El Refugio recogieron a Nena en las inmediaciones de la localidad segoviana de Los Ángeles de San Rafael. Es un cruce de caniche de color negro que pesaba 4 kilos y presentaba quemaduras en el 70% de su cuerpo.

Los miembros de la asociación localizaron a la dueña a través del microchip del animal y la denunciaron ante el Juzgado de Instrucción número 1 de Segovia, que se decantó por la dueña. Ante la decisión judicial El Refugio formuló un recurso de apelación ante la Audiencia Provincial de Segovia que, en una sentencia de 7 folios, estima el recurso presentado por la Organización Proteccionista contra la sentencia dictada por el Juzgado y condena a antigua dueña de Nena por una falta de abandono de animal domestico.

No cabe recurso contra el fallo

El tribunal se ampara en el articulo 631.2 del Código Penal, que castiga a "quienes abandonen a un animal domestico en condiciones en que pueda peligrar su vida o integridad". Sin embrago ésta es la primera sentencia por abandono que se hace pública, que crea jurisprudencia menor, ya que no cabe contra ella recurso alguno.

La Audiencia considera probado que la acusada puso en peligro la vida del animal. Prueba de ello son las lesiones de la perra, que tuvo que ser asistida por veterinarios. Ahora, Nena ha sido adoptada por una familia madrileña.

Para El Refugio, la sentencia es una "gran paso adelante en la protección animal", según palabras de su presidente, Nacho Paunero, y sirve para continuar en la labor que realizan desde cada una de sus delegaciones. La asociación está inmersa en 70 procedimientos penales, civiles y administrativos en la Comunidad de Madrid, Castilla y León, Castilla la Mancha y Extremadura.

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segunda-feira, março 12, 2007

As "manifas" do PP

Banda desenhada de Peridis publicada em EL PAÍS o 12 de março de 2007.


Não faz falta comentário nenhum.

Saúde!

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domingo, março 11, 2007

Frigopoemas


Estes são exemplos de "poemas magnéticos", criados desde este site. Trata-se dum jogo consistente em um conjunto de palavras impressas sobre magnetos que podem combinar-se para compor um poema que depois pode adornar a geleira da casa ou outra superfície metálica.

É uma boa ferramenta de trabalho para usar em ateliers literários e aulas de língua e literatura ou idiomas com alunos novos. (Fizemos uma pesquisa na rede, mas não foi possível achar edição portuguesa. Estariamos muito obrigados a qualquer pessoa que pudesse fornecer informações sobre a sua existência.)

Há já uns anos, em Londres, comprámos o "Spanish kit" deste jogo de possibilidades tão atractivas e cativantes, e ontem encontrámos numa loja uma versão espanhola. Há mais informação sobre ela
aqui. Ambos sites contêm amostras de poesia alegadamente elaborada com o jogo, embora a qualidade das poesias em espanhol não seja alta e, na maioria dos casos resulte evidente que os autores não usaram o jogo aleatoriamente para depois corrigir, senão que escreveram os seus textos de forma deliberada, perdendo desse jeito frescura e capacidade de surpresa.

A ideia original nasceu nos Estados Unidos, como um médio de superar um bloqueio de escritor. Num idioma como o espanhol, com tantas desinências verbais e sufixos de todo tipo, resulta um pouco mais difícil quedar plenamente satisfeito dos resultados finais, mas paga a pena tentá-lo. O simulador do site americano funciona realmente bem e permite provar de maneira muito realista.

À poesia através do jogo...

Saúde!

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sábado, março 10, 2007

Mais uma vez, contra o empréstimo de pago nas bibliotecas públicas






Na quarta passada (veja-se último post em Polvo à feira) já reproduzimos um artigo do site espanhol contra a imposição por parte da UE dum pagamento pelo empréstimo de livros nas bibliotecas públicas, última amostra da barbárie que é a política cultural de corte neo-liberal. E hoje queremos insistir, uma outra volta e todas que façam falta. Isto há que pará-lo. A cultura, a educação não são luxos e têem de estar a disposição de todos sem distinção.

Espanha não é o único país onde se está a reagir: Portugal e Itália também protestam. As bibliotecas são um bem público imprescindível e não podemos permitir que nos privem dele. Desde Polvo à feira queremos animar a todos os blogueiros a que difundam os manifestos e as novas distribuidas desde esses sites e a que se publiquem entradas que expresem o nosso malestar com a medida. Bruxelas tem de ouvir a nossa voz!

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quarta-feira, março 07, 2007

Não ao empréstimo de pago em bibliotecas!

Recebi isto por correio electrónico. Nem há que dizer que apoio totalmente a gratuidade do préstamo nas bibliotecas públicas, sejam da titularidade que foram (estatais, universitarias, de fundações, municipais, de museus, etcétera):


Asunto: [IWETEL] Comunicado Plataforma contra el Préstamo de Pago en Bibliotecas




NO AL PRÉSTAMO DE PAGO EN BIBLIOTECAS


Recientemente, el Tribunal de Justicia Europeo ha condenado al Estado español a transponer la directiva 92/100, controvertida en prácticamente todos los países europeos. Esta directiva obliga a las bibliotecas a hacer algo contrario a su filosofía: pagar por prestar los libros a los lectores. El Ministerio de Cultura, en vez de unirse con otros países para tratar de anular esa disposición, a todas luces perniciosa para la cultura, tiene la intención de incorporarla en la futura Ley del Libro, la Lectura y las Bibliotecas, imponiendo un canon a las bibliotecas por su actividad principal: el préstamo de libros y otros materiales.

Este canon se liga al concepto de derechos de autor, pero esto no es más que una coartada. La inmensa mayoría de los autores no van a percibir prácticamente nada a cambio de que las bibliotecas presten sus libros, como se ha comprobado en los países en los que ya se aplica la directiva. Además, cientos de autores se han opuesto a este canon: Andrés Aberasturi, Belén Gopegui, Carlo Frabetti, Darío Fo, Emilio Lledó, Enrique Miret Magdalena, Gustavo Martín Garzo, José Luis Sampedro, Maruja Torres, Miguel Delibes, Rosa Regás... y un largo etcétera, además de cientos de profesores universitarios. La biblioteca es, indudablemente, una aliada de los autores, a los que promociona en mucha mayor medida que cualquier otra institución.

Si se llega a aplicar este canon, los presupuestos dedicados a bibliotecas sufrirán un recorte inevitablemente, y debe tenerse en cuenta que España es uno de los países europeos con menor gasto social en bibliotecas, y también uno de los países más atrasados en cuanto a indicadores de lectura. Difícilmente puede esta medida impulsar la lectura, como se dice en la exposición de motivos de la futura ley del Libro, la Lectura y las Bibliotecas. Por otro lado, este canon supone un paso adelante en la ofensiva neoliberal contra los servicios públicos, ya que los derechos de autor están ya recogidos en el precio de venta de libros y otros materiales. Es una agresión a la biblioteca imponerle una carga impositiva por ejercer su misión principal: el préstamo. Este nuevo impuesto introduce una lógica mercantilista en la biblioteca, absolutamente rechazable, y, además, será recaudado no por la administración, sino por las entidades de gestión de los derechos de autor, correas de transmisión de los intereses de los grandes grupos editoriales.

La directiva 92/100, como cualquier otra, es cuestionable. La Plataforma contra el Préstamo de Pago impugna su filosofía y está llevando a cabo una campaña informativa entre la opinión pública y las organizaciones. El objetivo final de la Plataforma es generar el debate social que se ha esquivado y, eventualmente, conseguir la retirada de la directiva. No es aceptable que los gobiernos vayan a Europa con una postura débil en la defensa de sus servicios públicos y vuelvan a su país con el mensaje resignado de que "Europa nos obliga a cumplir la directiva".

Las organizaciones que quieran adherirse a este comunicado, pueden hacerlo a través del correo electrónico: adhesiones@noalprestamodepago.org.

Los ciudadanos que deseen apoyar la campaña NO AL PRÉSTAMO DE PAGO EN BIBLIOTECAS, pueden hacerlo a través de la biblioteca más próxima.

Para más información: www.noalprestamodepago.org


PLATAFORMA CONTRA EL PRÉSTAMO DE PAGO

Marzo 2007

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