quinta-feira, dezembro 22, 2005

On Raglan Road

Em Raglan Road um dia de Outono vi-a pela primeira vez e soube
que o seu cabelo escuro teceria uma emboscada que um dia eu haveria de lamentar.
Percebi o perigo, e porém, recorri o caminho encantado.
E disse-me "que o pesar seja como a folha caída ao romper o dia".

Em Grafton Street em Novembro passeávamos ligeiros seguindo o borde
dum profundo barranco no que pode ver-se o que vale o voto da paixão.
A Rainha de Corações ainda a fazer tortas e eu sem recolher o feno.
Mas eu amava com excesso e por coisas assim perde-se a felicidade.

Dei-lhe os dons da mente; dei-lhe o signo secreto conhecido
pelos artistas que trataram com os verdadeiros deuses do som e a pedra.
E palavras sem medida, pois dei-lhe coroas de poemas que recitar.
Lá estavam o seu próprio nome e o seu cabelo negro como nuvens sobre os campos em Maio.

Por uma tranquila rua onde se reúnem velhos fantasmas vejo-a agora passar
alongando-se de mim com tanta presa que a minha razão tem de reconhecer
que amei indevidamente uma criatura de argila.
Se o anjo corteja argila, pode perder as asas ao romper do dia.


On Raglan Road on an autumn day I saw her first and knew
That her dark hair would weave a snare that I might one day rue;
I saw the danger, yet I walked along the enchanted way,
And I said, let grief be a fallen leaf at the dawning of the day.

On Grafton Street in November we tripped lightly along the ledge
Of the deep ravine where can be seen the worth of passion’s pledge,
The Queen of Hearts still making tarts and I not making hay—
Oh I loved too much by such and such is happiness thrown away.

I gave her the gifts of the mind I gave her the secret sign that’s known
To the artists who have known true gods of sound and stone
And word and tint without stint for I gave her rings of poems to say.
With her own name there and her own black hair like clouds over fields of May.

On a quiet street where old ghosts meet I see her walking now
Away from me so hurriedly that my reason must allow
That I have loved not as I should a creature made of clay—
When the angel woos the clay he’d loose his wings at the dawn of day.

Patrick Kavanagh

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