segunda-feira, novembro 28, 2005

Saraband, de Ingmar Bergman

Se consideramos o estado actual da cinematografia internacional, ter a possibilidade de assistir à projecção dum novo filme de Ingmar Bergman é mais do que um agasalho; é um privilégio.

A crítica falou em “testamento” e resumo do seu legado ao referir-se a esta película, case como se não quisessem que o cineasta sueco voltasse faltar à sua palavra de não voltar a dirigir.

Saraband, em realidade, foi filmada para a televisão. A estreia, por expressa vontade de Bergman, tem-se espaçado, e assim os espanhóis tivemos de aguardar dois anos para ver esta película nos ecrãs do nosso país.

O filme demonstra que Bergman segue a ser Bergman, por fortuna para nós, e os seus motivos habituais aparecem mais uma vez expostos com tal intensidade que a obra torna-se uma experiência emocional por momentos quase insuportável. O efeito catártico da história é duma força absoluta e Bergman sublinha essa intensidade do melhor jeito possível: contando a história com uma singeleza, uma sinceridade e um domínio tão sereno da técnica que o resto do cine que podemos contemplar depois de assistir a um passe de Saraband fica reduzido à categoria de banalidade.

Esta é a demonstração de madureza à que todo artista deve de aspirar.

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