quinta-feira, março 09, 2006

tecnologia moderna

Pertenço à geração do Tente, o Mecano, o Quimicefa, os Juegos reunidos Geyper e os Madelman. Os brinquedos mais sofisticados que tivemos foram do estilo de Hundir la flota por ordenador (!). Em realidade, este joguete consistia numa singela memória electrónica que permitia fixar as posições da frota no jogo dos barcos. Quando um jogador marcava a sua tirada, o jogo reproduzia o som da queda dum projéctil que ou bem golpeava água, ou bem explodia se acertava num alvo. Até que passamos dos dez anos não conhecemos os jogos electrónicos (o Pac-Man, ou aquele primitivo jogo de ténis que jogavam dois rectângulos brancos que se deslocavam arriba e abaixo nos extremos do ecrã para fazer rebotar um quadradinho que simulava a bola). Por não haver, não havia nem máquinas recreativas nos bares se exceptuamos algum que outro futbolín ou pinball. Assim estávamos quando apareceram os Spectrum e os Amstrad e os videojogos de Atari. Estes joguetes, que para muitos passavam por “ordenadores” revolucionaram completamente os pátios das escolas, criando classes especiais e separadas: os que tinham e os que não tinham. A mim, como a todos, estes novos brinquedos tecnológicos fascinavam-me e ademais descobri que era bom para fazê-los funcionar, que entendia bem as instruções que causavam problemas aos adultos que no-los haviam comprado. Esta facilidade continuou existindo logo, quando as televisões incorporaram tecnologia digital na sintonização de canais e quando apareceram o vídeo e as equipas musicais.

Todos esses tímidos avances tecnológicos iam aparecendo a um ritmo muito lento e só os mais proclives a estar na última corriam para adquiri-los em quanto ainda eram novidades. Na minha casa, o vídeo, o reprodutor de CDs ou o de DVDs tardaram anos em chegar e assim custaram quatro ou cinco vezes menos do que aos primeiros que os tiveram. O seguinte passo foram os ordenadores, as equipas de cine na casa, internet, as câmaras digitais e os telemóveis. Agora mesmo parece que a história está a discorrer pela época dos impérios mp3, PDA, GPS e sabe deus que mais.

Agora, aqueles de nós, que nunca puderam separar-se do telefone da casa mais de metro e meio em quanto o usavam e que não chegaram a saber como acender o aparato electrónico mais simples, encontram-se asfixiados por toneladas de novidades cuja utilidade parece impossível discutir. Os demais parecemos alegremente rendidos ao alude tecnológico. Alguém lembra como era viver sem todos esses gadgets e gimmicks? Se se pensa friamente, é verdadeiramente imprescindível que todos os membros duma família disponham de telemóvel e que cada um dos recibos individuais não desça jamais dos 50 euros ao mês?

Fala-se-nos muito do consumo energético responsável, do consumismo, mas não há quem faça com que nos questionemos a utilidade real da tecnologia que temos adquirido e que usamos só a meias. Quantos aproveitam mais do 30% do potencial das suas equipas informáticas ou dos seus telemóveis que já são “de terceira geração”? O que é que eu faço com um ordenador portátil, o meu quarto telemóvel em menos de seis anos, uma câmara digital, um iPod, uma PDA do meu trabalho, um lápis de memória portátil, um disco duro externo de 30 gigabytes, um reprodutor de DVDs, um discman, um….? Ademais, há já tempos que perdemos a frescura com a que aprendemos a usa os primeiros balbucios tecnológicos da indústria do brinquedo. Agora padecemos angústia e indiferença quando nos enfrentamos a um problema de funcionamento dos nossos aparatos, e isso se não estamos completamente fartos deles (quantos dos que trabalham todo o dia diante dum ordenador estão desejando sentar-se ante o que têm na casa ao acabar a jornada?). Se calhar, tem chegado o momento de repensarmo-nos toda esta modernidade e todo este progresso.

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