quarta-feira, março 01, 2006

Parzival, de Wolfram Von Eschenbach (estamos a ler 3)

“Si se llega a saber que el sobrino del rey Arturo ha llegado bajo mi protección a Schanpfanzun, y si los franceses o los britanos, los provenzales o los borgoñones, los gallegos o los punturteses oyen las penalidades de Gawan, perderé mi buen nombre”.

“(...) no os envanezcáis demasiado, pues, aunque sois el más noble y distinguido de todos los príncipes, yo también soy soberano y señor de muchas tierras. Tengo
en Galicia, muy diseminados, numerosos castillos hasta Pontevedra. Aunque vos y todos los britanos me quisieran hacer allí algún daño, no huiría de vos ni un pollo”.

Soa estranho? E se dizemos que procedem dum poema alemão de cavalaria que faz parte do Ciclo do Graal e que foi escrito no século XIII? O livro chama-se Parzival, e o seu autor, de quem praticamente tudo desconhecemos, é Wolfram von Eschenbach.

Se fazemos caso da lapela da capa da edição de Siruela, este poema é junto com o Cantar dos Nibelungos e o Fausto de Goethe um dos principais mitos da cultura alemã. Como prova o facto de a obra ser adaptada por Richard Wagner na sua ópera Parsifal; ou que Herman Hesse usara o nome duma personagens da ópera wagneriana (que não aparece no poema medieval) para dar nome a uma das suas melhores criações: o pintor Klingsor; ou que Thomas Mann pussera o nome de “von Eschenbach” ao namorado protagonista do seu inesquecível romance Morte em Venécia.

A leitura de Parzival ensina-nos a apreciar a literatura medieval. O poema abrangue todos os temas: o amor cortês, a novela bizantina, as gestas de cavalaria, a busca da perfeição espiritual mediante a prática duma ética estrita (castidade, piedade, generosidade, amor, valentia e humildade). Abundam as descrições detalhadas de luxos aristocráticos, costumes do amor cortês, além de geografias, exércitos e façanhas fantásticas; assim como cenas duma grande ternura e delicadeza. O estilo de von Eschenbach não surpreenderá a velhos leitores do ciclo bretão ou das modernas mitologias do Tolkien, e tem ademais os valores acrescentados da ironia e duma visão surpreendentemente moderna de certos temas como a convivência entre religiões, a moral sexual ou a ética pessoal.

O jovem Parzival medra num bosque longe do contacto com a cavalaria que custou a vida ao seu pãe. Um dia encontra uns cavaleiros e decide abandonar a sua mãe e dirigir-se ao castelo do Rei Artur para que este o arme cavaleiro. A sua mãe trata de dificultar a sua viagem, mas não consegue o seu propósito e morre de sofrimento em quanto Parzival vai embora. O jovem é nobre e formoso, mais ignora totalmente como deve comportar-se um cavaleiro e desconhece a religião, por elo tem um combate com Ither de Gahaviez, a quem mata e arrebata cavalo e armadura sem saber que ambos estavam emparentados. Por fim chega à corte de Artur, quem o arma cavaleiro. Parzival parte em busca de façanhas que aumentem a sua glória. Numa das suas aventuras, casa com uma rainha, mas o amor da sua dona Condwiramurs e o seu trono não conseguem reter ao cavaleiro. Um dia chega a um lago onde acode a aliviar as suas feridas o Rei-pescador. Parzival é convidado ao castelo de Munsalwäsche, onde assiste a numerosos prodígios realizados pelo Graal, pedra de origem divina e dotada de poderes maravilhosos, mas causa do sofrimento do rei Anfortas. A noite passa e Parzival, seguindo o conselho que recebera de não ser indiscreto, evita perguntar ao Rei-pescador o motivo do seu sofrimento, com o que comete um pecado involuntário e é expulso do castelo. Toda a velada resulta não ser mais que uma prova à que Parzival estava pré-destinado para livrar Anfortas do seu padecer eterno e herdar o seu trono como rei do Graal. O jovem herói fracassa na prova por não fazer a pergunta. Desde esse momento, Parzival tratará de volver a ser digno de dar com o castelo e de volver a contemplar os prodígios do Graal.

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