terça-feira, abril 11, 2006

amoRoma

Não gosto de repetir tópicos, assim que deixai que diga para começar que todas as ideias preconcebidas sobre o lugar estão justificadas. Qualquer afirmação sobre as ruínas da antiguedade romana, as igrejas barrocas, a cúpula de São Pedro, a obra de Bernini repartida por toda a cidade em fontes, igrejas e praças; todo é verdade. A memória cinematográfica construída durante tantas e tantas películas (De Sica, Fellini, Passolini, Moretti, Monicelli) cobra vida, torna-se palpável a cada passo que damos. Quase soa parvo dizê-lo, assim que cuspamo-lo rápido e vamos lá falar doutra coisa: Roma é muito formosa.


Foi a minha primeira visita e estou seguro de que não será a última, porque é uma cidade pela que é fácil sentir um namoro instantâneo e para sempre. No Foro, diante da Cúria pensava: "aqui dentro falava Cícero; por aqui caminhavam os imperadores" No Palatino está fechado o túnel onde assassinaram a Calígula, mas podem ver-se todas as cúpulas da cidade e o Foro inteiro. É difícil descrever as emoções que um sente nessa pequena colina.

Que é o que destacaria? Em primeiro lugar, a facilidade com que o visitante se rende à mítica de Roma. Também como a cidade estimula a imaginação. No prado que é agora o Circo Massimo um pode ver perfeitamente os duzentos e cinquenta mil espectadores que lá cabiam. As pedras do Foro não parecem ruínas. Os turistas que enchem o Coliseu são romanos que assistem aos combates de gladiadores. Os que passam por debaixo dos arcos não são hordas de novos bárbaros, mas as legiões de volta à cidade. A quantidade de turistas é algo para o que não estava preparado, mas é certo que acabei por esquecer que estavam por todas partes.

O vaticano é outra coisa. As múmias dos papas produzem desassossego em vez de produzir devoção e a sensação esmagante de majestade e poder contrasta de maneira selvagem com a humildade e a pobreza dos monumentos paleocristãos, sobre tudo as catacumbas. Pode-se reclamar aos papas a responsabilidade de saquear durante séculos as ruínas imperiais na procura de materiais de construção, mas também há que agradecer-lhes os encargos que fizeram a Bernini, Michellangelo, Rafael...

De ir com o tempo muito limitado eu diria que as coisas a não perder são o Foro, a Piazza Navona, a Piazza de Sta. Maria in Trastevere (uma maravilha pela noite), a vista desde o Pincio com a Piazza do Popolo aos pés, a Capela Sistina, os frescos da bóveda do Gesú, o Panteão e a Piazza de Spagna. Para ver a Fontana de Trevi um precisa de armar-se de valor e suportar uma massificação que nem no metro de Tóquio.

De outros dous lugares romanos, de interesse mais pessoal, falarei noutra entrada à minha volta de Lisboa.

Desfrutai!

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